Olá, leitores do Código Infinito! As compras online no exterior, especialmente aquelas famosas “blusinhas” baratas de plataformas como Shein, Shopee, AliExpress e Temu, estão no centro de uma das discussões tributárias mais relevantes do momento no Brasil. Recentemente, o governo zerou o Imposto de Importação de 20% para encomendas de até US$ 50 (cerca de R$ 280, dependendo da cotação). Mas essa isenção tem curta duração: a partir de 1º de janeiro de 2027, surge uma nova cobrança federal por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma tributária.
Neste artigo, explicamos de forma clara, completa e sobre o que está acontecendo, o histórico da “taxa das blusinhas”, os detalhes da nova regra, os impactos para consumidores, varejistas nacionais e a economia como um todo. Vamos conectar todos os pontos para você tomar decisões mais conscientes nas suas compras digitais.

O Que Foi a “Taxa das Blusinhas” e Por Que Surgiu?
Tudo começou em 2024. O governo federal, atendendo a reclamações de varejistas brasileiros, instituiu um Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas. Antes disso, essas encomendas de baixo valor eram isentas de imposto federal dentro do programa Remessa Conforme, o que permitia preços muito atrativos em sites estrangeiros.
A medida visava reduzir a concorrência desleal. Lojas físicas e e-commerces nacionais arcam com uma carga tributária alta (ICMS, PIS, Cofins, ISS etc.), enquanto importados baratos chegavam praticamente sem tributos federais. A “taxa das blusinhas” — apelido que pegou por causa das roupas baratas — mudou esse cenário e gerou polêmica imediata.
Resultados observados:
- Aumento da desistência de compras internacionais (de cerca de 13% para 38% em alguns períodos, segundo pesquisas da CNI).
- Arrecadação significativa: mais de R$ 5 bilhões em 2025 e cerca de R$ 2 bilhões nos primeiros meses de 2026.
- Reclamações de consumidores por encarecimento de produtos de moda, eletrônicos acessíveis e itens do dia a dia.
Em maio de 2026, o governo Lula editou uma Medida Provisória zerando novamente o imposto federal de importação para essas compras de baixo valor. A isenção entrou em vigor rapidamente, aliviando o bolso de milhões de brasileiros que compram online. No entanto, trata-se de uma medida temporária.
A Reforma Tributária e o Surgimento da CBS
A grande transformação vem da Reforma Tributária sobre o Consumo, aprovada em 2023. Ela simplifica o sistema caótico de impostos brasileiros, unificando tributos federais em um IVA dual (Imposto sobre Valor Agregado duplo):
- CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços (federal, substituindo PIS e Cofins).
- IBS — Imposto sobre Bens e Serviços (estadual e municipal, substituindo ICMS e ISS).
A CBS entra em vigor em 1º de janeiro de 2027, em fase de testes inicialmente, com alíquota cheia prevista para os anos seguintes. Diferente do antigo Imposto de Importação, a CBS incide sobre todas as remessas internacionais, independentemente do valor — ou seja, tanto abaixo quanto acima de US$ 50.
Como será a cobrança na prática?
- A CBS substitui o antigo imposto de importação de 20% para as compras de baixo valor.
- A alíquota ainda não está 100% definida. Estimativas iniciais apontavam 8,8%, mas projeções atualizadas da consultoria Roit indicam cerca de 9,43% em 2027.
- Continuará incidindo o ICMS estadual (17% a 20%, dependendo do estado), calculado sobre o valor do produto + frete + outras despesas.
- A partir de 2029, o IBS deve substituir gradualmente o ICMS, completando a transição.
Diferentemente da “taxa das blusinhas” anterior, que era um imposto específico sobre importação, a CBS é um tributo sobre o consumo, aplicável de forma mais ampla e buscando isonomia entre produtos nacionais e importados.
Impactos no Bolso do Consumidor: Cálculos Práticos
Vamos a um exemplo didático para facilitar o entendimento. Suponha uma blusa importada de US$ 40 (cerca de R$ 220 na cotação atual):
Antes da isenção de 2026 (com taxa das blusinhas):
- Imposto de Importação: 20% ≈ R$ 44
- ICMS (ex. 17-20%): cerca de R$ 45-55
- Total de impostos: aproximadamente R$ 90+
- Preço final bem mais alto.
Agora (junho 2026 até fim de 2026):
- Apenas ICMS estadual.
- Economia clara para o consumidor.
A partir de 2027 (com CBS):
- CBS ≈ 9,43% ≈ R$ 21
- ICMS ≈ R$ 45-55
- Total de impostos federais + estaduais: cerca de R$ 66-76
- Ainda mais barato que os 20% anteriores, mas com tributação federal de volta.
Para compras maiores (acima de US$ 50), o cenário também muda, pois o antigo regime de 60% de Imposto de Importação será influenciado pela nova sistemática. O objetivo do governo é manter a carga tributária geral próxima do atual, evitando perda de arrecadação.
Reações, Contestações e Preocupações
A revogação temporária da taxa gerou reações fortes. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) ingressaram com ações no STF questionando a medida, alegando concorrência desleal, risco de fraudes (como fracionamento de encomendas) e prejuízo ao varejo nacional. Elas argumentam que produtos importados chegam com carga tributária menor, ameaçando empregos e a indústria local.
O Ministério da Fazenda não comentou detalhes sobre a alíquota da CBS, mas informou que o cálculo está sendo feito em parceria com a Receita Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU), com divulgação prevista até o fim de 2026.
Especialistas destacam prós e contras:
- Para o consumidor: Alívio temporário em 2026, mas retorno gradual da tributação. Plataformas devem atualizar sistemas para destacar a CBS no carrinho.
- Para o varejo nacional: Ganho de competitividade com a isenção temporária, mas pressão para se modernizar e reduzir custos internos.
- Para o governo: Manutenção da arrecadação via CBS, combatendo déficit fiscal, mas desafio de equilibrar consumo popular com proteção à economia interna.
Por Que Isso Importa para o E-commerce e a Economia Digital?
O Brasil é um dos maiores mercados de compras cross-border da América Latina. Milhões de brasileiros dependem de plataformas internacionais para acesso a variedade, preço e novidades. A volatilidade tributária gera insegurança:
- Estratégias para consumidores: Comprar agora enquanto a isenção federal vigorar (até fim de 2026), planejar volumes maiores ou diversificar entre nacionais e importados.
- Para empresas estrangeiras: Adaptação ao Remessa Conforme, transparência na cobrança de tributos e possível aumento de preços repassados.
- Para o Brasil: A reforma tributária visa simplificação e justiça fiscal, mas exige acompanhamento rigoroso para evitar distorções.
No contexto de inflação, câmbio volátil e poder de compra pressionado, cada porcentagem de imposto faz diferença no orçamento familiar, especialmente para moda, acessórios, eletrônicos e itens de beleza.
Perspectivas para 2027 e Além
A transição da reforma é gradual. 2027 marca o início da CBS, com alíquota cheia se consolidando nos anos seguintes. O ideal é que o Congresso e o Executivo refinem as regras para:
- Evitar aumento excessivo da carga tributária.
- Manter incentivos à inovação e ao comércio digital.
- Combater fraudes sem burocratizar excessivamente as remessas.
Enquanto isso, o consumidor brasileiro navega entre oportunidades de economia e o retorno inevitável de tributos federais. A transparência das plataformas será essencial: elas deverão informar claramente todos os impostos no momento da compra.
O que mostram as pesquisas:
1. Muitos consumidores reduziram ou abandonaram compras internacionais
Uma pesquisa citada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicou que 38% dos consumidores deixaram de comprar em sites estrangeiros após a implementação da taxa. Além disso, 32% passaram a procurar produtos similares com entrega nacional.
2. Parte dos consumidores quer voltar a comprar no exterior
Após o anúncio do fim temporário da taxa em 2026, uma enquete mostrou que 49% dos participantes pretendiam voltar a comprar em sites internacionais, enquanto 19% afirmaram que nunca deixaram de comprar.
3. Mesmo com a taxa, o hábito continuou forte
Levantamento da CNDL apontou que 95,8% dos brasileiros fizeram compras em sites internacionais entre 2024 e 2025, embora tenha havido uma pequena redução em relação ao período anterior

Comentários de compradores (fontes públicas)
Abaixo estão comentários reais publicados por usuários em discussões públicas no Reddit. Eles representam opiniões individuais, não pesquisas científicas.
Reclamações sobre aumento de preços
“Eu parei tb ahaha.”
Contexto: usuário relata que praticamente deixou de importar produtos após a taxação.
“alguns tipos de mercadoria simplesmente não existem aqui”
Contexto: reclamação de que certos componentes eletrônicos, ferramentas e itens específicos não possuem alternativas nacionais.
“Dependendo da situação eu prefiro comprar o chinês.”
Contexto: consumidor afirma que, mesmo pagando imposto, ainda considera algumas compras internacionais mais vantajosas.
“Paguei 60% de imposto + 17% de ICMS”
Contexto: usuário reclamando do custo total de importação fora das regras do programa Remessa Conforme.
Consumidores que migraram para lojas nacionais
“a gente foi pro mercado livre e pra shoppe, com varejo nacional”
Contexto: consumidor relata ter substituído compras internacionais por vendedores brasileiros.
“Eu voltei a comprar mais coisas em lojas como Renner e Riachuelo.”
Contexto: usuário afirma que passou a encontrar melhor custo-benefício em algumas categorias de roupas no varejo nacional.

Conclusão: Compras Conscientes na Era da Reforma Tributária
A “taxa das blusinhas” não desapareceu de vez — ela ganha um novo formato mais integrado ao sistema tributário brasileiro a partir de 2027. Com alíquota estimada em torno de 9,43% via CBS + ICMS estadual, o impacto deve ser menor que os 20% anteriores, mas ainda representa uma mudança importante no custo final das importações.
No Código Infinito, acreditamos que informação clara empodera decisões melhores. Monitore as atualizações da Receita Federal, compare preços nacionais x internacionais e planeje suas compras estratégicas. O mundo digital evolui rápido, e a tributação acompanha esse movimento.
Fique atento às próximas fases da reforma e aos desdobramentos no STF. Qualquer dúvida sobre como calcular impostos ou escolher plataformas confiáveis, deixe nos comentários — estamos aqui para ajudar!
Fontes TecMundo G1 Revista Oeste




