Move Brasil Entregadores e Motoapp: Como Funciona o Benefício do governo e Quem Pode Participar

Move Brasil Entregadores e Motoapp: Como Financiar Sua Moto ou Bike com Juros Bem Mais Baixos

Neste artigo, vamos explicar o que é o programa, quem pode participar, quais motos e bicicletas entram na lista, quanto custa o financiamento, o passo a passo para se cadastrar e o que esperar dele daqui para frente.

Move Brasil Entregadores e Motoapp imagem de um entregador em uma motocicleta
Imagem: Pexels

Antes de começar: o que significam algumas siglas

Para não te deixar perdido no meio do texto, aqui vai uma explicação rápida de termos que vão aparecer:

  • FIIS (Fundo de Investimento em Infraestrutura Social): é de onde sai o dinheiro que o governo usa para “subsidiar” o programa, ou seja, para bancar parte do custo e permitir juros menores do que os praticados no mercado.
  • FGO (Fundo Garantidor de Operações): funciona como uma espécie de seguro para os bancos. Se o trabalhador não conseguir pagar as parcelas, esse fundo cobre parte do risco, o que ajuda a reduzir a taxa de juros cobrada de quem pega o financiamento.
  • CLT (celetista): é o trabalhador com carteira de trabalho assinada, com todos os direitos trabalhistas garantidos, diferente do profissional autônomo que trabalha por conta própria em aplicativos.

O que é o Move Brasil Entregadores e Motoapp

O Move Brasil Entregadores e Motoapp é uma linha de crédito criada pelo governo federal para ajudar motociclistas e ciclistas profissionais — aqueles que usam a moto ou a bicicleta como ferramenta de trabalho para fazer entregas ou transportar passageiros — a comprar um veículo novo. O programa foi anunciado em 12 de junho de 2026 e é operado pela Caixa Econômica Federal, com participação também do Banco do Brasil e de outras instituições financeiras credenciadas.

A etapa de liberação do crédito, porém, só começou de fato em 27 de julho. A data inicialmente prevista era 13 de julho, mas o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) adiou o cronograma para dar tempo de testar a integração entre os sistemas dos bancos e das plataformas de aplicativos envolvidas — um ajuste técnico normal em programas desse tamanho, mas que vale a pena saber caso você já tenha se cadastrado e estivesse esperando uma resposta.

A meta do governo é financiar até 100 mil motos, motonetas ou ciclomotores em todo o país. O dinheiro usado para reduzir os juros vem do FIIS, e o risco das operações conta com a garantia do FGO — os dois fundos explicados no glossário acima. O programa também abre uma linha específica para empresas que quiserem ampliar pontos de recarga ou de troca de baterias voltados a veículos elétricos, o que veremos com mais detalhes adiante.

O Move Brasil Entregadores e Motoapp faz parte de um programa maior

Vale entender o contexto: o Entregadores e Motoapp é uma das linhas dentro de um programa federal mais amplo, chamado apenas Move Brasil. Existe também a linha Move Brasil Táxi e Aplicativos, criada por Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia realizada em São Paulo, que disponibiliza até R$ 30 bilhões para financiar carros novos destinados a taxistas e motoristas de aplicativo, com juros subsidiados e prazos de até 72 meses. Já a linha Entregadores e Motoapp, tratada neste artigo, é voltada especificamente para veículos de duas rodas — motos, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas.

O tamanho da categoria ajuda a entender por que o governo decidiu criar o programa: segundo dados do IBGE, o Brasil tinha cerca de 1,7 milhão de trabalhadores de aplicativos em 2024, dos quais aproximadamente 1,1 milhão atuavam como motoristas em plataformas como Uber e 99 — um contingente expressivo de trabalhadores que, historicamente, tinha pouco acesso a crédito em condições justas para comprar ou renovar o próprio veículo de trabalho.

Move Brasil Entregadores e Motoapp imagem mototaxista
Imagem: Pexels

Quem pode participar do programa

O Move Brasil atende dois grupos principais de trabalhadores:

Profissionais de aplicativos (autônomos): precisam ter pelo menos seis meses de cadastro na plataforma de entregas ou transporte e, no mínimo, 100 corridas ou entregas realizadas nesse período.

Profissionais com carteira assinada (celetistas): ciclistas, motofretistas e mototaxistas que trabalham com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa também podem participar.

Em ambos os casos, para veículos que exigem habilitação — ou seja, as motos — é necessário ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria “A”. Há um limite de um veículo financiado por CPF, e o programa não exige que o nome do trabalhador esteja “limpo” (sem dívidas registradas), mas vale lembrar que a instituição financeira ainda faz sua própria análise de crédito antes de liberar o dinheiro — então pendências financeiras podem, sim, pesar nessa etapa final.

Quais motos e bicicletas podem ser financiadas

Nem toda moto ou bicicleta entra no programa. As regras são específicas:

  • Motos, motonetas e ciclomotores movidos a combustão precisam ser do tipo “flex” (que aceitam tanto álcool quanto gasolina) e ter motor de até 160 cilindradas.
  • Motos elétricas precisam ter potência de até 7.500 watts.
  • Bicicletas elétricas entram desde que tenham potência de até 1.000 watts.
  • Em todos os casos, o veículo precisa ser zero quilômetro (novo) e fabricado no Brasil, ou vinculado a um projeto de produção nacional.

Não existe um teto oficial de preço para o veículo — quem limita as opções, na prática, são as regras de potência e de fabricação nacional. No lançamento oficial, o programa habilitou doze modelos de motocicletas, sendo seis da Honda e seis da Yamaha, todos fabricados no Brasil e com versões flex e elétrica disponíveis. Entre os modelos flex mais populares estão:

  • Honda Biz 125 EX: R$ 16.840
  • Honda CG 160 Cargo: R$ 18.390
  • Yamaha Factor: R$ 18.490
  • Honda CG 160 Fan: R$ 20.590
  • Yamaha Crosser 150 Z ABS: R$ 22.990

Na categoria elétrica, aparecem opções como Shineray SE1 e SE2 (ambas por R$ 12.490), além de modelos como Watts W125, Shineray SHE-S e Yamaha Neos. Já para as bicicletas elétricas não há uma lista fechada de modelos: qualquer e-bike de até 1.000 watts que atenda às regras de fabricação nacional pode ser financiada. No mercado, esse tipo de bicicleta costuma custar entre R$ 6 mil e R$ 16 mil, dependendo da potência e dos recursos.

Quanto custa o financiamento

Esse é um dos pontos mais atrativos do programa: dá para financiar até 100% do valor do veículo, sem precisar dar entrada. O prazo de pagamento é de até 48 meses (quatro anos), com dois meses de carência — ou seja, a primeira parcela só vence dois meses depois de o dinheiro ser liberado.

As taxas de juros anunciadas são de 12,5% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres (o equivalente a cerca de 0,99% e 0,91% ao mês, respectivamente). Para efeito de comparação, esses valores representam menos da metade da taxa média cobrada normalmente no mercado para esse tipo de financiamento, que chegou a 26,6% ao ano em abril de 2026, segundo a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF). O financiamento também inclui um seguro prestamista — um seguro que quita o saldo devedor em caso de morte ou invalidez do trabalhador, protegendo a família de ficar com a dívida.

Vale reforçar: passar pela primeira checagem de elegibilidade no site do programa não garante automaticamente o financiamento. Depois dessa etapa, a instituição financeira ainda faz sua própria análise de crédito antes de aprovar o valor final.

Um exemplo prático, para ficar mais fácil de visualizar

Números soltos de taxa de juros costumam ser difíceis de visualizar no dia a dia. Então, vamos a um exemplo simplificado: imagine um entregador que financia uma moto de R$ 18.390 (o valor da Honda CG 160 Cargo, uma das opções da lista) em 48 meses. Financiando pelo mercado tradicional, com juros médios de 26,6% ao ano, o valor total pago ao final do contrato, somando juros, ficaria bem mais alto do que o preço original da moto. Já pelo Move Brasil, com juros de 12,5% ao ano (ou 11,5% para mulheres), o custo total do financiamento cai de forma significativa — em termos simples, o entregador paga bem menos do que pagaria em um financiamento comum de concessionária ou banco privado, ainda que o valor exato da parcela dependa da simulação feita por cada instituição financeira no momento da contratação. Essa diferença nos juros é justamente o que o subsídio do governo, via FIIS, torna possível.

Linha de crédito para empresas

O programa também pensa em quem está do outro lado da cadeia: empresas que quiserem investir em pontos de recarga ou de troca de baterias para veículos elétricos também podem acessar financiamento, incluindo os equipamentos e as próprias baterias. Nesses casos, é possível financiar também um capital de giro associado ao investimento, limitado a 30% do valor total.

Passo a passo para se cadastrar

O processo para participar do Move Brasil é dividido em três etapas simples:

  1. Cadastro no portal: acesse gov.br/movebrasil (ou gov.br/mdic/pt-br/assuntos/sdic/move-brasil) e faça o cadastro usando sua conta gov.br. Não é preciso enviar documentos adicionais, já que dados como a CNH ficam automaticamente disponíveis pelo sistema.
  2. Confirmação de elegibilidade: em até cinco dias úteis, você recebe uma resposta — por mensagem no WhatsApp e na caixa de mensagens do gov.br — informando se atende aos requisitos do programa. Essa aprovação inicial confirma apenas que você cumpre os critérios básicos, e não que o financiamento já está garantido.
  3. Compra e formalização: quem for aprovado pode procurar uma concessionária ou diretamente uma das instituições financeiras habilitadas pelo governo para a linha de duas rodas — entre elas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil — para concluir a análise de crédito e fechar o financiamento do veículo escolhido. Como a lista de instituições credenciadas pode ser atualizada pelo governo, vale a pena consultar a relação oficial no portal antes de fechar negócio.

Caso a plataforma de aplicativo informe que você não cumpre os requisitos, mesmo tendo atingido o número mínimo de corridas ou entregas, a orientação oficial é solicitar um relatório de atividades diretamente ao aplicativo. Se houver algum erro nos dados, a empresa deve enviar a correção para o governo, que atualiza a análise de elegibilidade.

O que esperar do programa daqui para frente

O Move Brasil chega para atender um grupo de trabalhadores que, historicamente, tinha dificuldade de conseguir crédito em condições justas para comprar um veículo de trabalho. A troca por um veículo novo tende a reduzir gastos com manutenção e aumentar a confiabilidade no dia a dia — o que pode significar mais tempo trabalhando e menos tempo (e dinheiro) gasto com o mecânico. A inclusão de opções elétricas também é vista como um incentivo à renovação da frota com veículos mais econômicos e sustentáveis, já que o programa prevê apoio à expansão de pontos de recarga.

Como o financiamento acabou de começar a ser liberado, ainda é cedo para saber com que rapidez os bancos vão aprovar os pedidos e se todos os modelos anunciados vão estar realmente disponíveis nas concessionárias em todo o país — dois pontos que vale acompanhar nas próximas semanas.

Vale lembrar também que o Move Brasil Entregadores e Motoapp não nasceu isolado: ele se encaixa em uma estratégia mais ampla do governo federal de usar linhas de crédito subsidiado como ferramenta de inclusão produtiva para trabalhadores autônomos, uma categoria que cresceu bastante nos últimos anos com a popularização dos aplicativos de entrega e transporte, mas que segue com alta dependência de veículos alugados ou usados, muitas vezes em condições precárias de manutenção. Ao facilitar o acesso a um veículo próprio e novo, o programa também pode reduzir, a médio prazo, os custos fixos que hoje pesam no bolso desses profissionais — como aluguel de moto ou gastos frequentes com oficinas mecânicas.

Perguntas frequentes sobre o Move Brasil

Quem pode participar do Move Brasil? Entregadores e motoristas de aplicativo com pelo menos seis meses de cadastro e 100 corridas ou entregas realizadas, além de motofretistas, mototaxistas e ciclistas com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa.

Preciso dar entrada para financiar a moto ou a bike? Não. O programa permite financiar até 100% do valor do veículo, sem entrada.

Posso financiar uma moto usada? Não. Só entram no programa veículos zero quilômetro, fabricados no Brasil ou vinculados a um projeto de produção nacional.

Quanto tempo demora para saber se fui aprovado? A resposta sobre a elegibilidade inicial sai em até cinco dias úteis após o cadastro no portal gov.br/movebrasil. Depois disso, ainda é preciso passar pela análise de crédito da instituição financeira escolhida.

Onde faço o cadastro? Pelo portal gov.br/movebrasil, usando sua conta gov.br.

O Entregadores e Motoapp é a mesma coisa que o Move Brasil para taxistas? Não. São linhas diferentes dentro do mesmo programa federal. A linha Táxi e Aplicativos financia carros novos para taxistas e motoristas de aplicativo, com prazos de até 72 meses. Já a linha Entregadores e Motoapp, tratada neste artigo, financia apenas veículos de duas rodas — motos, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas.

Opinião do Código Infinito

O Move Brasil Entregadores e Motoapp representa uma medida prática e bem direcionada para um grupo de trabalhadores que, muitas vezes, enfrenta dificuldade de acesso a crédito em condições justas. A combinação de financiamento de 100% do valor, juros bem mais baixos que os do mercado e foco em veículos nacionais e elétricos mostra atenção tanto à necessidade imediata dos profissionais quanto a uma visão de médio prazo de renovação da frota e sustentabilidade.

Para o Código Infinito, o sucesso do programa vai depender da agilidade na aprovação dos cadastros, da transparência das instituições financeiras e da real disponibilidade dos modelos elegíveis nas concessionárias — especialmente agora que a fase de liberação do crédito está apenas começando, depois de um adiamento no cronograma original. Se bem executado, pode se tornar um exemplo de política pública que une inclusão produtiva e estímulo à indústria nacional. Acompanhe o andamento do programa e, se você for elegível, aproveite a oportunidade com planejamento financeiro cuidadoso.


Fontes consultadas: Portal gov.br (MDIC), Exame, Correio Braziliense, AutoData, TechTudo, G1, Olhar Digital, Motor1.

Autor

  • Técnico em informática, designer gráfico e editor de vídeos. Amo tecnologia desde sempre, com o tempo e experiência prática, acumulei conhecimentos em diversas áreas da informática e estou constantemente explorando novas ferramentas, tendências e inovações. Como um bom geek, sou fascinado por tecnologia e tudo o que há de mais inovador no mercado.

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